Café, chocolate e refrigerantes podem causar arritmias?

Substâncias estimulantes exógenas, ou seja, não produzidas pelo organismo, não podem causar arritmias. Porém, toda substância estimulante pode acelerar o coração se for ingerida em grande quantidade, levando a uma taquicardia sinusal (aceleramento normal do coração), mesmo em repouso. No entanto, pacientes que já têm predisposição (circuitos elétricos de arritmias) podem experimentar episódios de arritmias em associação com estas substâncias. A eliminação delas da dieta não levará a cura do problema.

O prolapso da valva mitral poderá causar arritmia?

O prolapso da valva mitral, também conhecido como Síndrome de Barlow, é um mau funcionamento da válvula mitral do coração, porta de comunicação entre o átrio esquerdo e ventrículo esquerdo. Contudo, a arritmia (um problema na parte elétrica do coração) nunca é causada pelo prolapso. Normalmente, a válvula mitral fecha quando os músculos do ventrículo se contraem, prevenindo que uma corrente de sangue retorne ao átrio esquerdo quando o coração bombeia o sangue para resto do corpo. Porém, quando ocorre o prolapso da válvula mitral, uma deformidade leve da válvula impede que ela se feche normalmente. O resultado disso é que quando o coração (ventrículo) contrai, pequenas quantidades de sangue escapam (vazam) para o átrio esquerdo através da vávula. Esta alteração ocorre com certa freqüência na população e muitas pessoas que têm arritmias cardíacas também têm esta anormalidade. A detecção desta anomalia na válvula não explica o aparecimento de uma arritmia, apenas torna mais provável que sintomas como palpitações e tonteira sejam mesmo causados por uma arritmia. O tratamento específico da arritmia, seja com remédios ou de forma definitiva através de ablação por cateter, deve ser realizado independente da existência do prolapso.


A prática de atividade física poderá ocasionar arritmias? Se tenho arritmia, preciso parar de fazer exercícios?

A atividade física pode desencadear um episódio de arritmias, se já existir um circuito elétrico que favoreça o problema. O exercício físico extenuante (treinamento para atletas) pode induzir alterações no coração que colaboram com o surgimento de arritmias, por isso todo atleta deve praticar exercício físico sob supervisão médica. A atividade física sempre é recomendável para a saúde. Porém, pessoas que possuem arritmias só podem praticá-la se liberadas pelo médico, pois alguns tipos de arritmias podem acarretar situações de risco de morte durante a realização do exercício físico.

Tenho uma profissão de risco (motorista, piloto, operador de máquinas pesadas). Sofro algum risco de ter arritmias? Preciso de cuidados especiais?

Esses profissionais apresentam os mesmos fatores de risco para arritmias do que a população em geral. Porém, necessitam de avaliações médicas periódicas, com exames que estabeleçam os riscos para arritmias, como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, entre outros. Caso seja detectada alguma arritmia, o profissional deverá ser afastado do trabalho até a resolução completa do seu problema. Se a arritmia não tiver cura, poderá ser necessária a mudança de profissão.

Alterações no peso (obesidade ou anorexia), remédios para emagrecer e dietas especiais podem ocasionar arritmias cardíacas?

A obesidade por si só não causa a arritmia, porém ela representa um fator de risco para doença coronariana que pode predispor à arritmia. Já a anorexia (quadro de desnutrição severa) pode desencadear arritmias por alterações em alguns componentes do sangue (baixa da quantidade de cálcio e/ou potássio). Muitos remédios para emagrecer possuem em sua fórmula anfetaminas, hormônios tireoidianos, diuréticos e outros componentes que podem causar arritmias. Por isso, pacientes com alterações cardíacas não devem fazer uso destes remédios. Dietas com restrições importantes, sem orientação de um nutricionista ou um médico, podem levar a episódios de arritmias.

A atividade sexual pode ocasionar uma arritmia ou morte súbita?

O esforço físico durante a atividade sexual poderá ocasionar arritmias em pessoas que já possuem um circuito elétrico de arritmias. Em pessoas sem circuitos de arritmias, poderão aparecer palpitações secundárias ao aceleramento normal do coração durante situações de esforço. A morte súbita pode ocorrer no caso de doença das artérias coronárias não tratada ou de algumas arritmias de alto risco.

Medicamentos ou drogas ilícitas podem levar a arritmias ou morte súbita?

Broncodilatadores, descongestionantes, antitussígenos, suplementos nutricionais podem levar ao aceleramento do coração (taquicardia sinusal) com o aparecimento de palpitações, mesmo em pessoas sem predisposição para arritmias. A suspensão desses medicamentos cessará os sintomas. Medicamentos antiarrítmicos, hormônios tireoidianos, diuréticos, alguns antibióticos e antidepressivos raramente poderão causar arritmias cardíacas importantes, secundárias às alterações nos circuitos elétricos próprios do coração.

Drogas ilícitas (cocaína, maconha, ecstasy, crack) podem causar vários tipos de arritmias, inclusive arritmias letais.

Ansiedade e síndrome do pânico tem associação com arritmias?

Muitas pessoas portadoras de arritmias experimentam sensação de ansiedade e até mesmo pânico por medo de morrer com problemas cardíacos e, às vezes, chegam a realizar tratamento psiquiátrico. Muitos dos episódios de arritmias são fugazes, durando de 5 a 10 minutos e, quando as pessoas chegam ao hospital, o eletrocardiograma não documenta o problema. Nesses casos, torna-se necessária a realização de um estudo eletrofisiológico, exame que utiliza cateteres para diagnosticar as arritmias. A palpitação causada por ansiedade é um diagnóstico de exclusão, ou seja, quando após toda investigação cardiológica e estudo eletrofisiológico não se encontra nenhuma causa. Nesse caso, torna-se necessário um acompanhamento psiquiátrico.

O uso de bebidas alcoólicas pode levar a algum tipo de arritmia?

É ainda controverso se o uso de álcool causa episódios de fibrilação atrial, uma arritmia que causa batidas rápidas e descompassadas. Sabe-se que o seu uso em grande quantidade está associado a episódios agudos da arritmia em algumas pessoas, porém elas podem ter maior risco de desenvolverem outros episódios no futuro, mesmo sem o uso de álcool. Nessa circunstância, o álcool serviria para desmascarar uma predisposição já existente. De qualquer forma, é recomendável que pacientes com essa arritmia evitem bebidas alcoólicas de um modo geral. Para pacientes com episódios recorrentes, a ablação por cateter pode curar definitivamente o problema.

O fumo pode predispor à alterações cardíacas que levam as arritmias?

A nicotina e outros componentes do cigarro podem levar ao aceleramento do coração (taquicardia sinusal) que é sentido através de palpitações. Além disso, o cigarro é um grande fator de risco para doença coronariana, que pode levar à arritmias.

Outras doenças não-cardíacas podem levar a arritmias?

Algumas doenças podem predispor o aceleramento do coração, que pode ser percebido como palpitações. São elas febre, infecção, desidratação, hipoglicemia, doenças da tireóide, anemia e doenças pulmonares com baixa da oxigenação.

Há uma predisposição para fibrilação atrial (arritmia com batimentos irregulares) nos pacientes portadores de doenças da tireóide e pulmonares.

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